Ex-advogado é preso acusado de estelionato

Quinta Feira 23 de Junho de 2011

Vanessa Lima/Folha


Boa Vista - O ex-advogado Lauro Ribeiro Pinto de Sá Barretto foi preso ontem à tarde pela Polícia Civil, acusado do crime de extorsão. Ele foi flagranteado após ter recebido R$ 20 mil do empresário Marcílio Arruda da Silva, representante no Estado da Aplub Capitalização, que é a empresa responsável pelo título de capitalização “Roraima da Sorte”.

Barretto vinha sendo investigado desde o mês de março. Segundo a delegada Francilene Souza, que presidiu a investigação com apoio da Divisão de Inteligência Policial da Civil, o ex-advogado estava ameaçando o empresário por meio de ligações e bilhetes pedindo R$ 200 mil em troca de “não dificultar” a permanência do negócio no Estado com o ingresso de ações judiciais.

O empresário procurou a polícia e informou o ocorrido. As conversas com o ex-advogado passaram a ser gravadas por Arruda. Ontem Barretto teria ligado para ele e cobrado uma parte do valor. Um encontro foi marcado na sede do Roraima da Sorte, no Centro.

Do lado de fora a polícia acompanhou a ação. Tudo foi gravado. Ao sair da empresa, a equipe da Polícia Civil abordou o ex-advogado e encontrou dentro de uma bolsa que estava sob a posse dele o montante que seria a primeira parcela dos R$ 200 mil cobrados. Foram agendadas novas visitas para pagamentos posteriores.

“Ele enviava via postal cópias de petições que eram endereçadas a entidades de classe e cópias de ações ingressadas. Mandava bilhetes com as mensagens ‘vamos conversar’, ‘gosto de brigas’ e ‘só gosto de brigas grande’, ameaçando”, informou o advogado do empresário, Carlos Ney Amaral.

Barretto foi levado para a Delegacia Geral e, após ter sido ouvido pela autoridade policial, foi encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Ainda conforme a delegada Francilene Souza, as investigações continuam e novas prisões poderão ocorrer. O envolvimento de uma segunda pessoa no crime de extorsão ao empresário está sendo apurado pela Polícia Civil.

OAB - Lauro Ribeiro Pinto de Sá Barretto teve a OAB suplementar e a principal canceladas em fevereiro deste ano em Roraima e no Rio de Janeiro, respectivamente. Como servidor do Poder Judiciário lotado no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), ele não poderia exercer a profissão de advogado.

A delegada Francilene Souza informou que Barretto poderá ser enquadrado ainda no crime de exercício ilegal da profissão, já que se passava por advogado quando ameaçava o empresário.  

EXTORSÃO - É o ato de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por meio de ameaça ou violência, com a intenção de obter vantagem, recompensa ou lucro. É crime tipificado no artigo 158 do Código Penal Brasileiro.

Defesa afirma que dinheiro era proveniente de honorários

O advogado de Lauro Ribeiro Pinto de Sá Barretto, Alex Ladislau, informou que seu cliente foi contratado pelo empresário Marcílio Arruda para fazer o estudo e a defesa de uma ação civil pública que a empresa teria no Amapá.

“Foi acertado o valor dos honorários e marcada a data para ser pago. Ele então foi ao local para pegar o montante e, ao sair, foi surpreendido pelos policiais que o deram voz de prisão”, defendeu Ladislau. Ainda durante o plantão, o advogado de Barretto informou que entraria com pedido de liberdade provisória para o ex-advogado.

Quanto ao cancelamento da OAB de Barretto, Ladislau classificou como arbitrária a ação. Seu cliente não teria tomado posse no TRE-RR e, mesmo assim, a Ordem dos Advogados em Roraima cancelou seu direito a exercer a profissão sem lhe dar o direito de resposta. O caso é objeto de mandado de segurança que está sendo apreciado pela Justiça Federal no Estado.

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