Após estupro, criança de 8 anos é hospitalizada em estado grave

Quarta Feira 06 de Julho de 2011


Foto:  Charles Bispo


Boa Vista - Em apenas dois dias este é o segundo caso de estupro contra vulnerável divulgado à imprensa pelo Núcleo de Repressão à Violência contra a Criança e o Adolescente (NPCA). Assim como no primeiro, o acusado foi denunciado e preso em pouco tempo pela polícia. O pedreiro Honorato Flávio Lopes, 54, foi preso em flagrante acusado de estuprar a filha de sua namorada, de apenas oito anos de idade. A criança está internada em estado grave no Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA), com hematomas e lesões internas, além de anemia intensa provocada pela hemorragia. A unidade de saúde informou que ela necessita de transfusão de sangue.

Conforme informações prestadas pela delegada Magnólia Soares, diretora do Núcleo, o caso chegou ao conhecimento da polícia através de um comunicado feito da unidade de saúde para o Conselho Tutelar (CT), que comunicou o delegado João Evangelista, que estava no plantão.

A reportagem da Folha entrevistou o acusado com exclusividade na tarde de ontem, ainda quando ele aguardava transferência do prédio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para a Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (PAMC). Friamente, ele contou detalhes de como tudo ocorreu.

Honorato explicou que nos cinco meses em que manteve relacionamento amoroso com a mãe da menina, angariou bastante confiança dela, da filha e também da amiga que divide residência com ambas.

Como já tinha a cópia da chave da casa, localizada no bairro Silvio Leite, entrar na residência não era nenhum obstáculo. Na tarde de segunda-feira, depois de ser solicitado pela namorada, foi até o local para realizar alguns serviços de pedreiro.

Ao chegar por volta do meio-dia, percebendo que a garota estava sozinha, disse que não se conteve e foi até a rede onde ela estava. Lá, mesmo diante da negativa da menina, contou que começou acariciá-la.
Foto: Charles Bispo

O pedreiro Honorato Flávio Lopes confessou friamente o crime


“Ela pedia para eu parar, mas fui adiante e fiz sexo oral nela. Depois transei com ela. Ela não chorou muito. Quando terminei pedi que ela fosse ao banheiro tomar banho. Como estava sangrando, dei um absorvente e ensinei como usar. Fiquei lá até as 14h, momento em que a amiga da minha namorada chegou”, disse.

Alegando preocupação, Honorato disse que pouco tempo depois voltou até o local. “O tempo todo estava ao lado dela, não que me arrependesse do que tinha acabado de fazer, apenas porque estava muito preocupado com o estado de saúde dela. Sei lá, talvez ela precisasse ir ao médico, então chamaria o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]”.

A amiga da família chegou e sem perceber nada pediu a motocicleta emprestada. Pouco tempo depois das 16h, ela retornou e devolveu o veículo, quando então ele saiu. “Algumas vezes ainda durante a tarde liguei para minha namorada pra saber se precisava de carona para ir à escola à noite. Como disse que não, nem me preocupei em carregar a bateria do meu celular e fui resolver outras coisas”.

Conforme a delegada, ao chegar do trabalho no final da tarde, a mãe que pouco auxiliou o trabalho da polícia, alegou que a filha estava sozinha em casa porque não tinha com quem deixá-la. Contou que a garota estava deitada na rede, mas não teria percebido nada de anormal.

Quando já estava na escola, a amiga ligou informando que a filha teria menstruado e que aparentava estar com febre. A mãe da menina foi para casa e apenas trocou o absorvente da filha.

Por volta das 3h da madrugada, a menina acordou e pediu que a mãe ligasse a luz, pois não estava se sentindo bem. Ao levantar percebeu uma imensa poça de sangue debaixo da rede da filha. Finalmente, temendo o pior, imediatamente acionou o Samu, que fez a remoção da vítima até o HCSA. Na unidade de saúde, ainda quando estava sendo atendida na recepção, devido à grande perda de sangue, a garota acabou desmaiando.

Enquanto a filha era atendida, a mãe ligou para Honorato e disse que a pequena estava internada no hospital. “Nesse momento já imaginava o que tinha acontecido. Fui até meu trabalho e avisei aos colegas que talvez aquela fosse a única vez que me vissem, pois havia cometido um crime horrível. Um deles até perguntou se eu estava com gasolina na moto e sugeriu que eu fugisse, mas eu disse que não”, contou o acusado.

Neste intervalo, após ser atendida por uma psicóloga, a menina contou tudo o que havia ocorrido e confessou não ter dito nada à mãe com medo dela ser presa. Imediatamente, o caso foi repassado às autoridades e comunicado à mãe, que mesmo sabendo que o namorado era o acusado, assim que ele chegou ao hospital, o tratou normalmente, aceitou dinheiro para o lanche e pediu que ele trouxesse a ela um carregador de bateria.

Neste ínterim as autoridades se desdobravam para prender o acusado, que recebeu voz de prisão na unidade de saúde, quando teria retornado para entregar o carregador à namorada.

Ainda conforme a delegada, o laudo preliminar do setor de psicologia informou que a menina queixa-se de muita dor, aparenta bastante tristeza e muito medo.

Todo o depoimento do acusado, que foi enquadrado no artigo 217-A do Código Penal Brasileiro (CPB), foi filmado. Ele, que já responde a atentado violento ao pudor, crime cometido em 2009, foi entregue na PAMC, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Daniela Meller/Folha

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